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Conheça a vida de Kepler, o astrônomo que criou uma nova visão para o Universo
Enviado por 19 de julho às 00:23:42 BRT, sexta por prof-leonardo1
Kepler

Kepler foi um astrônomo alemão. Nasceu em 1571 e faleceu em 1630. Assim como Galileu, viveu num ambiente em transformação.

Uma das questões técnicas importantes para os que viviam no mundo de Galileu e Kepler era o aprimoramento do transporte marítimo. Por dificuldades de orientação, as embarcações, durante a Idade Média, nunca se afastavam da costa. Mas o intercâmbio com as novas colônias da América e com o Oriente tornava necessário maior segurança em alto-mar.

Os europeus tinham que melhorar a estabilidade de suas embarcações e tornar mais preciso o sistema de orientação. O aprimoramento de técnicas de navegação em alto-mar exigia, no entanto, conhecimentos a respeito dos corpos celestes. Determinar a latitude, por exemplo, requeria conhecer não só o mapa celeste, como o movimento dos astros.

Nesse ambiente, muitos cientistas dos séculos XVI e XVII direcionaram seus estudos para a astronomia. Ao contrário da maioria dos filósofos naturais da época, Kepler acreditava que as órbitas planetárias eram reais e que os movimentos observados podiam ser explicados com argumentos físicos. Abandonou, assim, a idéia antiga de que o movimento dos corpos celestes possuía uma explicação exclusivamente divina.

Com seu trabalho, Kepler pretendia descobrir um conjunto de leis que explicassem o que provocava os movimentos dos planetas. Essas leis, que deviam estar de acordo com as observações do céu já realizadas, formariam uma “Física Celestial”. No entanto, apesar de não associar a causa do movimento dos planetas a Deus, Kepler usou argumentos místicos em seu trabalho. Veja o que ele diz no livro Primeiras dissertações matemáticas sobre os mistérios do cosmo, escrito em 1597:

“Eu procuro provar que Deus, na criação deste universo móvel e na harmonização dos corpos celestes, tinha em vista os cinco sólidos regulares da geometria, celebrados desde os dias de Pitágoras e de Platão, e que Ele tinha acomodado à sua natureza o número de céus, as suas proporções e as relações de seus movimentos”.

Assim, Kepler acreditava que Deus criara um universo simples e harmônico e que, para garantir isso, teria feito uso da matemática e das figuras geométricas regulares no ato da criação. Por exemplo, Deus teria criado seis planetas porque a matemática possui apenas cinco sólidos regulares.

Os sólidos regulares (poliedros): tetraedro, cubo, octaedro, dodecaedro e icosaedro, cujas faces têm lados e ângulos iguais. Esses sólidos eram admirados pelos pitagóricos e por Platão, devido a sua uniformidade. Os sólidos regulares eram considerados símbolos de perfeição.

No modelo de universo construído por Kepler, os planetas orbitavam sobre esferas cujo centro era o Sol. Essas esferas foram sempre associadas a um dos sólidos regulares, de modo que os raios das esferas internas e externas aos sólidos representassem as distâncias dos respectivos planetas ao Sol. Para concretizar essa idéia, Kepler imaginou um cubo entre as esferas de Júpiter e Saturno, um tetraedro entre as de Júpiter e Marte, um octaedro entre as de Marte e Terra, e assim fez para os seis planetas.

Veja! Para construir esse modelo de universo, utilizando sólidos regulares, Kepler não se baseou exclusivamente em observações astronômicas.

Kepler apresentou seu modelo no livro Primeiras dissertações matemáticas sobre os mistérios do cosmo, que lhe deu prestígio junto a filósofos naturais reconhecidos. Quatro anos após a publicação dessa obra, tornou-se assistente do astrônomo Tycho Brahe. No ano seguinte, Tycho morreu, deixando-lhe todos os seus dados astronômicos, fato determinante para o futuro de Kepler.

Fonte: Newton e o Triunfo do mecanismo :: Marco Braga, Jairo Freitas, Andréia Guerra e José Cláudio Reis :: Editora Atual

 
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