A gente precisa ver o luar
Comentário:

Aquele ipê, que em julho ainda era "mocinho" agora, em fevereiro, se impõe, glorioso, desfrutando plenamente da luz do sol, depois de vencer as sombras que o sufocavam.

A mangueira, que se cobriu de flores e depois de frutos, agora recebe, calmamente, os filhotes dos passarinhos.

A jaboticabeira, depois de um ano explosivamente fértil, em que seus ramos se cobriram de frutos negros e suculentos, agora se recompõe e substitui as cascas, ao mesmo tempo em que acelera seu crescimento em direção à luz.

Abrigadas no tronco da sibipiruna, duas cigarras tardias expressam, em alto e bom som, seu desejo de se libertarem da casca que já não lhes cabe.

O vento, que agora sopra quente e manso, ao final da tarde deverá trazer a chuva.

É muito, muito bom sentar embaixo de uma árvore, respirar fundo, e sentir o ritmo da vida a pulsar. No que se vê, sente, pressente, há o segredo daquilo que em tudo vibra, desde o início até o final dos tempos, se é que se pode falar em tempo!!!

Sentir-se parte do todo implica em compreender que cada criatura tem um papel insubstituível no contexto do mundo.

Em Mato Grosso do Sul ainda é possível perceber-se, em muitos locais, como no pantanal da Nhecolândia, algo que em poucos lugares ainda há. Ali, onde o homem humildemente se instalou e aprendeu a conviver em harmonia com outros animais e plantas, a limpidez das águas, o indescritível espetáculo do pôr-do-sol, os sons e cores dos pássaros, as noites de lua cheia, as flores, tudo revela a plenitude da beleza.

Neste momento, em que a humanidade se defronta com os resultados dos seus erros, em que a poluição, as guerras, a miséria, a violência, a falta de responsabilidade e de sentimento de fraternidade oprimem e trazem sofrimentos a tantos, é preciso repensar nosso modo de participação nos rumos da história.

É preciso que cada pessoa pare um pouco e, serenamente, perceba tudo ao seu redor. Se a percepção for bem a fundo, o que se sentirá não tem descrição, mas é capaz de mudar o rumo da vida de cada um e, consequentemente, os destinos do mundo.

Portanto, todos nós e, principalmente, nossos governantes, deveríamos atender à sugestão de Gilberto Gil, que canta em uma de suas composições que "a gente precisa ver o luar". Precisamos, sim, para que, renovados, sejamos mais felizes e participemos da construção de um novo modo de vida, que resulte em paz em harmonia para a humanidade e, também, aos demais habitantes do planeta.

* Sonia Corina Hess é engenheira química com pós-doutorado em Química pela Universita Cattolica Del Sacro Cuore Instituto Di Chimica e Chimica Clinica (UCSC) na área de Química dos Produtos Naturais, Itália; pós-doutorado em Química pelo Departamento de Química Orgânica da Universidade de Campinas (Unicamp) na área de síntese orgânica; professora do Departamento de Hidráulica e Transporte/Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (DHT/CCET/UFMS).

Este trabalho contou com o apoio do Fundo Nacional do Meio Ambiente - Ministério do Meio Ambiente.





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