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Abençoada ignorância

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Comentário:

 "Melhor é não saber!". Esta frase vem adquirindo um significado cada vez mais particular em minha vida.

Se eu não tivesse lido que em 2003 o câncer matou 583 pessoas somente em Campo Grande/MS, número 5,8% maior que em 2002, e que os casos de mortes mais freqüentes são os de câncer no pulmão e brônquios (16,29% em 2003).

Se também não soubesse que os agricultores de Mato Grosso do Sul perderam R$ 1,5 bilhão devido à seca, na safra que acabou de ser colhida.

Se não tivesse visto na TV o que aconteceu com a região sul do Brasil atingida por um furacão ou ciclone, algo inédito na história do nosso país, e que está prestes a se repetir.

Se eu não estudasse química há 24 anos e não lecionasse a disciplina de poluição atmosférica na universidade, talvez eu não compreendesse que todos estes fatos estão relacionados entre si, e que têm como causa primordial a ação humana, a poluição. 

Se eu não soubesse, talvez não sofresse tanto cada vez que tivesse acesso a estas notícias; talvez não me inquietasse tanto esta vontade de mudar o triste rumo da história, que tem nos conduzido a dores cada vez maiores.

Esta semana recebi o codinome de "mãe do bioma". Quem assim me denominou, certamente, não quis me agradar, mas conseguiu. Me sinto mãe, mesmo (o escritor acertou em cheio)!!! Com sentimento de mãe, eu realmente me preocupo com cada componente deste conjunto vivo que nos envolve. Os humanos (principalmente os mais jovens), os sapos, os pássaros, as árvores... Cada vez que leio, estudo, compreendo os riscos que estamos introduzindo no ambiente, ameaçando a saúde e o equilíbrio essencial à sobrevivência de todos, realmente me aflijo. Esta aflição não pode se conter, por isso escrevo, falo, vou a reuniões, tento fazer o que posso, como simples professora e pesquisadora, em um país em que isto não significa muito.

Foi estudando sobre incineração de lixo, e acreditando nos cientistas que escreveram os artigos a que tive acesso, que me preocupei ao extremo ao ler o Edital da Prefeitura Municipal de C. Grande referente à concessão dos serviços de "Coleta, Tratamento e Des! tinação Final dos Resíduos Sólidos Urbanos Domiciliar, Comercial e Serviços de Saúde". O Edital dá indícios muito claros de que a incineração dos resíduos poderá ser implantada em nossa cidade pela empresa vencedora da licitação.

Desde julho de 1999, eu e outras pessoas que também estudam o assunto, temos argumentado, tentado convencer as autoridades de que o risco de emissão de poluentes perigosos; o desperdício de matérias primas que serão queimadas ao invés de recicladas; os custos de instalação e manutenção; a dependência de tecnologia e pessoal estrangeiro; tornam a incineração uma opção ruim para o tratamento dos resíduos de Campo Grande.  Se o objetivo é tratar o lixo da maneira menos impactante possível e ainda gerar energia, por que não construir um aterro sanitário e gerar energia a partir da queima do gás produzido pela decomposição do lixo? Porto Alegre vai processar 600 toneladas/dia de lixo e gerar 6 MWh com esta tecnologia, que São Paulo e Rio de Janeiro também já adotaram, aproveitando o potencial energético do biogás e ainda recebendo recursos internacionais a partir de créditos de carbono, já que o metano, principal componente do gás do lixo, é bem pior, em termos de efeito ! estufa, do que o gás carbônico, liberado durante a sua queima. Será que nestas cidades há técnicos menos especializados do que aqui, e que a opção que fizeram para o tratamento do lixo é muito pior do que a incineração? Talvez estes técnicos, como eu, também tenham lido que é impossível evitar o lançamento de gases poluentes perigosos a partir de um incinerador de resíduos sólidos urbanos.

O lixo urbano contém materiais perigosos como mercúrio, cádmio, chumbo que, no incinerador, são arrastados com os gases de exaustão ou com o material particulado e lançados no ambiente se os filtros não forem 100% eficientes todo o tempo (alguém conhece um filtro assim?). Além disso, durante a queima dos materiais presentes no lixo são gerados subprodutos extremamente tóxicos, que contaminaram e causaram doenças em diversos locais próximos a incineradores de lixo. Os incineradores mais modernos têm mecanismos para evitar a formação destes compostos, mas produzem outros, como o óxido nítrico, que atualmente é lançado na atmosfera de Campo Grande na proporção de 2.200 toneladas/ano, a partir da queima de gás natural na Usina Termelétrica William Arjona, ameaçando a saúde das pessoas, já que pode causar câncer, problemas cardíacos, impotência sexual masculina, diabetes, etc.

Por que, então, arriscar tanto? Por que estes dados e outros argumentos não têm sido capazes de sensibilizar as autoridades desta cidade? Será que, nos próximos 20 anos teremos que conviver com um incinerador de lixo, até que os estudos epidemiológicos demonstrem que pessoas adoeceram e o ambiente foi irremediavelmente contaminado devido ao seu funcionamento? Quem quer arriscar e pagar o preço por isto?

Como eu disse, às vezes, o melhor é não saber!!!

* Sonia Corina Hess é engenheira química com pós-doutorado em Química pela Universita Cattolica Del Sacro Cuore Instituto Di Chimica e Chimica Clinica (UCSC) na área de Química dos Produtos Naturais, Itália; pós-doutorado em Química pelo Departamento de Química Orgânica da Universidade de Campinas (Unicamp) na área de síntese orgânica; professora do Departamento de Hidráulica e Transporte/Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (DHT/CCET/UFMS).

  

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